Pular para o conteúdo principal

LITERATURA FEMINISTA: CRÔNICAS, (MINI)CONTOS, POEMAS, RESENHAS E MAIS!

A Divina Piroca


~~Pela pica, Piroconildo foi ao Inferno~~

Depois de seu trágico encontro com Miss Andry, Piroconildo, despirocado, decidiu se exilar da face da Terra, pois esta não mais girava ao redor de sua piroca. Nem mesmo o colar de piroca, feito com sua piroca, lhe restara... As más línguas (meros boatos) contam que o médico que atendeu Piroconildo - quanto este quase enlouqueceu pela perda da pica - lhe cobiçara o valioso colar e o roubara.
Enclausurado, em casa, Piroconildo praguejava o céu e o inferno:
“Malditos sejam o céu e o inferno, amaldiçoado mais ainda seja o dia em que passei minha piroca naquela lâmpada mágica e a confiei àquela bruxa disfarçada de gênia... Miss Andry desgraçada, me despirocou...”.
Piroconildo gritava, berrava, urrava, piava, latia e rodava descontroladamente, quando, de repente, sua visão falhou, seus pés fraquejaram e ele se viu perdido em uma selva escura e selvagem.
Piroconildo não conseguia mais gritar, sua garganta estava gélida... 
Ele só não mijou nas calças pela falta de sua piroca.
Ao se lembrar disso, o ome já ia começar a chorar, mas engoliu as male tears quando, na beira daquele vale escuro, seus olhos aos poucos perceberam um vulto que se aproximava, que apagado estivera, talvez por excessivo silêncio.

- É você, não é, sua bruxa misândrica? – disse, se borrando, o ome.
- Não é tentando ofender Miss Andry que você verá sua piroca novamente, ome.
- E eu ainda tenho chance de recuperar meu bem mais precioso... minha pica? E se você não é a gênia, quem é, então?
- Sou Femista. A rainha das male cis tears e mana de Miss Andry. E sim, você poderá ter sua rola de volta, mas antes você terá que fazer uma viagem aos três reinos do "outro mundo": inferno (onde estamos), purgatório e paraíso... somente depois de desconstruir seu falocentrismo feat machismo, você poderá recuperar sua piroca.
- Eu não sou falocêntrico nem machista, eu tenho até amigos feministos que lutam pelas mulheres... mesmo tendo umas feminazis peludas que estragam com o movimento... aliás, por isso, não sou nem machista nem feminista, sou humanista... de qualquer jeito, para ter minha piroquinha de volta, eu aceito.
- Cale-se ome, você está passando vergonha e sua pica, esteja onde estiver, está broxada depois dessa... Venha, siga-me por este caminho que nos levará ao centro da Terra.

De repente uma intensa luz e nevasca cobriram Femista e o pobre ome, que seguia sua jornada, obstinado pelo reencontro com sua piroca. Foi aí que ela e ele atravessaram o mundo subterrâneo, passando pelos nove portais do inferno. Ao passar por esses portais, Piroconildo deveria prestar atenção nas mensagens, as quais lhe ajudariam a desconstruir seu machismo e cia.
“Seu machismo é broxante”, “A vida das mulheres não gira ao redor da sua rola”, “Seu falocentrismo é nojento”, “Não sugira rola para ninguém”, “Antes vale uma pica pequena na mão que uma grande voando”, “As mulheres não nasceram pra te agradar”, “Roupa não define caráter, muito menos é convite para estupro”, “Não adianta chorar a piroca despirocada” e “Feminismo não é o contrário de machismo, muito menos semelhante ao nazismo” são as denominações dos portais aos quais Femista e Piroconildo passaram.

- O que você aprendeu nessa viagem, ome miserável? Perguntou Femista a Piroconildo.

Piroconildo, receoso em falar alguma merda e perder até o buraco do cu, tentou compreender as mensagens que havia lido nos portais do inferno e disse:

- Eu aprendi que meu machismo é broxante, que não devo chamar feministas de feminazis, que as mulheres não têm obrigação de me agradar, que nada justifica estupro e que... a terra, bom, a terra não gira ao redor da minha ex... futura... piroca.
- Já é alguma coisa, Piroconildo, agora venha, Lilith nos espera. Disse Femista.


Continua...


Da série: O super-piroca 

 Lizandra Souza.

Comentários

Postar um comentário

Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!

Postagens mais visitadas deste blog

Por que gordofobia existe, mas magrofobia não?

Todas as mulheres (na verdade todas as pessoas, mas, por questões de gênero, farei esse recorte) sofrem ou estão sujeitas a sofrerem com a PRESSÃO ESTÉTICA resultante da idealização de beleza imposta pela indústria capitalista da beleza/moda, na qual a imagem do corpo feminino vira objeto de compra-venda e, consequentemente, a ideologia revestida nela faz com que as mulheres tenham suas autoestimas prejudicadas pelo que é imposto como bonito e ideal a ser seguido e alcançado para realização/felicidade plena delas, o que geralmente enquadra-se no padrão branco, cis e magro.  TODAVIA, nem todas as mulheres sofrem com algo estruturalmente e metodicamente instituído em sociedade para discriminar, segregar, inferiorizar, patologizar e excluir EM MASSA um determinado padrão de mulheres não-padrão de beleza, que é, por exemplo, o das mulheres gordas, sejam elas brancas, negras... altas, baixas... cis ou trans. Esse algo pode ser chamado de OPRESSÃO ESTÉTICA, pois há uma insti...

Afinal, o que é feminismo interseccional?

Feminismo, de forma genérica, é um movimento sociopolítico que busca uma sociedade livre do patriarcado, entendido aqui como o sistema de dominação-exploração da mulher pelo homem. Com o fim do patriarcado, espera-se, sobretudo, que as mulheres não sofram mais com a opressão de gênero, que as relações sociais entre homens e mulheres não sejam tão assimétricas e que as mulheres sejam ensinadas a se empoderarem, não a se alienaram diante de seu gênero. Todavia, apesar de "feminismo" ser geralmente usado no singular, a ideia que ele contempla deve ser vista no plural, pois não existe "um feminismo", mas feminismos ou movimentos feministas, heterogêneos, plurais e com suas próprias formas de articulação e promoção de pautas a respeito dos direitos das mulheres, o que fica evidente com as suas mais variadas vertentes.  O feminismo interseccional (ou intersec) é uma das vertentes do movimento feminista. Ele diz respeito as intersecções ou recortes de opressõ...

Glossário de termos usados na militância feminista (atual)

Já participou daquele(s) debate(s) feminista(s) e vez ou outra leu/ouviu uma palavra ou expressão e não soube o significado? E cada vez mais, em debates, você passou a ler/ouvir aquela(s) palavra(s)? E o tempo foi passando e mais termos e expressões foram surgindo? E o pior, você pesquisou no Google o significado e não achou? E as palavras, muitas vezes, não existiam nos dicionários formais? Se você respondeu sim, em pelo menos duas perguntas, aconselho conferir o glossário virtual a seguir, no qual pretendo expor e explicar brevemente alguns dos termos e expressões mais usados no meio do ativismo, em especial o virtual. Além dos vários termos e expressões que são usados há décadas nos meios feministas, nós temos também muitos termos e expressões usados atualmente na militância feminista que são fenômenos advindos dos estudos contemporâneos de gênero, outros, ainda, são resultantes da própria necessidade de ressignificação que determinadas pa...

Quem tem medo de mulher empoderada?

Mulheres empoderadas, decididas, livres, leves, soltas! Mulheres que tomam as decisões sobre a própria vida sem se deixarem intimidar ou limitar pelas expectativas alheias. Mulheres agressivas, duras e diretas. Mulheres subversivas, ativas, fortes. Mulheres belas, desbocadas, do bar. Mulheres que se amam. Mulheres que se acham (e são) bonitas independente dos padrões. Mulheres que lutam. São essas as mulheres que o patriarcado teme. Que os machos temem. Que muitas mulheres, infelizmente, temem.  O patriarcado espera de nós abnegação, subserviência, submissão e docilidade. Espera que sejamos belas, recatadas e do lar. Nos limita aos espaços domésticos, a inexpressividade do ser. A recusa calada. A dor sufocada. O grito calado. A revolta controlada. A censura internalizada. A violência aceita e romantizada. O patriarcado não quer que nós mulheres sejamos livres. Ele prende-nos em suas prisões. Prisões do corpo. Prisões dos sentimentos. Prisões da mente. Prisões da alma. S...

Afasta de mim esse cale-se!

É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e experimentado o direito ao grito, à voz, à palavra! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e ouvido o som da nossa própria voz! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e vivido a dor e a resistência de ser  quem somos  e de recusar  ser  quem  não somos! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido o fato de que já nos calaram por muito tempo e que a agora a hora é de reconhecer que se calar não é saber, quem sabe grita, não espera acontecer! Pra dizer que não falei dos espinhos. Lizandra Souza.