Pular para o conteúdo principal

LITERATURA FEMINISTA: CRÔNICAS, (MINI)CONTOS, POEMAS, RESENHAS E MAIS!

Sobre ser feminista, não ser feminista e ser antifeminista


"Moça, você diz que não sou obrigada a ser feminista, mas já vi feminista desejando estupro pra mulher que não é feminista"

Hoje eu vi umas moças antifeministas comentando isso, por mais que eu não queira acreditar (ou que seja doloroso de acreditar), é possível que existam feministas que achem que tem mulher que ''só sendo estuprada vai conseguir entender o feminismo''.
Gente! Isso é muito PROBLEMÁTICO! Isso é reprodução de misoginia. Isso é absurdo! Nenhuma mulher deve ser obrigada/pressionada a ser feminista, assim como nenhuma feminista deve ser obrigada a lidar pacientemente/amorosamente com mulher anti-feminista, a ter sororidade, a ter empatia. Sabem por quê, moças? Porque mulher antifeminista é um desserviço ao movimento, porque mulher antifeminista faz campanha contra o feminismo, deslegitima a causa, ajuda a sustentar o patriarcado, mas, contudo, todavia, entretanto, porém NENHUMA mulher merece ouvir que "devia ser estuprada", ainda mais para poder começar a militar. NENHUMA mulher deve precisar sofrer agressão para poder abrir os olhos. Se fosse assim, a gente não estaria militando para conscientizar e empoderar mulheres, mas ajudando os machos a abusar delas, para elas serem feministas! Que horror!
Migas, não é com esse tipo de discurso que a gente vai conseguir conscientizar essas mulheres antifeministas. Aliás, muitas vezes a gente pode morrer de explicar e ser didática, elas não vão deixar de ser antifeministas porque a misoginia e o machismo internalizados, aliados a alienação e a falta de amor próprio/e força de vontade, vão impedir que elas enxerguem o que devia ser óbvio: ser antifeminista é cuspir no espelho. É autossabotagem.
"Moça, não sou obrigada a ser feminista"
Não, miga, não é obrigada e é super problemático querer te impor isso. Se assumir feminista ou militar por direitos, empoderamento, liberdade, justiça, vivência social equânime sem hierarquia de gênero... deve ser uma escolha consciente, até porque é uma tarefa árdua (porém libertadora).
Feministas não são melhores nem piores que mulheres que não são feministas ou que não se assumem feministas (mesmo partilhando dos mesmos posicionamentos), até porque muitas não o são por falta de informação sobre o termo/movimento, apoio, conscientização... Já basta o Patriarcado nos dividir com classificações baratas, não precisamos fazer isso com quem está dentro x fora do movimento.
"Ah, mas por que tem tanta feminista por aí apontando o dedo na cara das garota que se assume reaça?"
Em primeiro lugar, não ser feminista é diferente de ser ANTIFEMINISTA. Uma coisa é eu respeitar as mulheres que não se dizem feministas, mas que não estão fazendo campanha contra feministas na internet, por exemplo, outra coisa bem diferente é eu aceitar silenciamento, perseguição e agressão de mulher que se diz antifeminista, ou seja, mulher ingrata e alienada, que cospe para o espelho, que dá tiro no próprio pé, ao militar contra um movimento que visa libertar a sociedade de padrões/hierarquias patriarcais de gênero.
Não é obrigada a ser feminista. Aliás, obrigar mulher a ser feminista não é nem pauta do movimento. Mas e a ser trouxa (antifeminista), é obrigada ou tão te pagando quanto, miga? Cuidado ao cuspir no espelho, reproduzir misoginia não te isenta de sofrer com ela. Aliás, só te deixa mais vulnerável de enfrentá-la.
Em segundo, ainda o Aécio.

Lizandra Souza.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

(Des)conto de amor

  Soube do baile real e chorou porque não tinha como ir. Antes da meia-noite, sua fada madrinha lhe deu um lindo vestido, joias caras e um belo sapato - com a condição de que antes do sino tocar, ela estivesse segura em casa.    Foi. Bebeu, dançou, riu, se divertiu como nunca. No fim, antes de ir embora, o príncipe pediu sua mão... - Desculpa, boy, eu só queria um vestido bonito e uma noitada. Lizandra Souza.

Afasta de mim esse cale-se!

É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e experimentado o direito ao grito, à voz, à palavra! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e ouvido o som da nossa própria voz! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido e vivido a dor e a resistência de ser  quem somos  e de recusar  ser  quem  não somos! É tão difícil nos calarmos quando já temos conhecido o fato de que já nos calaram por muito tempo e que a agora a hora é de reconhecer que se calar não é saber, quem sabe grita, não espera acontecer! Pra dizer que não falei dos espinhos. Lizandra Souza.

Por que perguntam se bissexuais existem?

É uma dificuldade tão grande de as pessoas respeitarem aquilo que foge da hétero-normatividade que até quem já foge do sistema acaba que por reproduzindo preconceitos contra quem também foge. Exemplo clássico disso são gays e lésbicas que ficam deslegitimando bissexuais e apagando a existência da bifobia com esse questionamento inócuo e que nunca morre: "bifobia existe?''.  A própria pergunta "bifobia existe?" já é uma atitude bifóbica e SONSA, pois por trás dela há a negação e/ou questionamento da validade da bissexualidade enquanto sexualidade que foge da héteronorma. Todos aqueles que fogem da héteronorma sofrem com discriminação: gays, lésbicas, bis, pans, aces, etc. A discriminação não vem da homofobia, como se tudo fosse homofobia, mas da normatividade heterossexual que causa homofobia, bifobia, panfobia, acefobia etc.  Perguntar se bifobia existe equivale a perguntar se bissexuais existem. Por que perguntam se bissexuais existem? Pergunta inócua ...

Não confundam pessoas negativas/tóxicas com pessoas depressivas

Não confundam pessoas negativas/sanguessugas/tóxicas com pessoas depressivas. E não usem negatividade como pretexto para serem babacas com quem tem problemas psicológicos. Uma pessoa negativa vai falar mal do seu físico, desestimular seus sonhos, zombar dos seus trabalhos, ridicularizar você... pessoas assim são tóxicas e devem ser evitadas. Pessoas depressivas vão te dizer com frequência que não estão bem, felizes ou realizadas. Isso não é ser negativo, isso é estar passando por problemas que talvez você não consiga compreender.   Reflita, s e você se incomoda com alguém que está sempre para baixo, imagine quem sempre está se sentindo assim? Se você não gosta de ouvir um "não estou bem", quando você procura a pessoa para perguntar como ela está, imagine a pessoa que recorrentemente tem que te dizer que não está bem? Sério, se você não se importa de verdade com a vida de quem tem depressão, não demonstre (falsamente) ter interesse, não fale frases preconceituosas e supe...

Vamos falar de misandria?

 O que é misandria no feminismo?   É o ódio generalizado aos homens?   N Ã O.  A misandria geralmente é dicionarizada como sendo o ódio aos homens, sendo análoga a misoginia: ódio às mulheres. Esse registro é equivocado e legitima uma falsa simetria, pois não condiz com a realidade social sexista vivida por homens e mulheres. Não  existe uma opressão sociocultural e histórica institucionalizada que legitima a subordinação do sexo masculino, não existe a dominação-exploração estrutural dos homens pelas mulheres pelo simples fato de eles serem homens, todavia existe o patriarcado: sistema de dominação-exploração das mulheres pelos homens, que subordina o gênero feminino e legitima o ódio institucional contra o sexo feminino e tudo o que a ele é associado, como, por exemplo, a feminilidade. Um exemplo: no Nordeste é um elogio dizer para uma mulher que "ela é mais macho que muito homem", tem até letra de música famosa com essa expressão, contudo...