Pular para o conteúdo principal

LITERATURA FEMINISTA: CRÔNICAS, (MINI)CONTOS, POEMAS, RESENHAS E MAIS!

Descubra se você seria considerada uma bruxa na Idade Média e perseguida pela Inquisição



Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha, nariguda e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. A palavra vem do verbo italiano bruciare que significa queimar (brucia), na época da Inquisição, estrangeiros fora da Itália ao ouvirem gritar brucia associaram a palavra com a ré. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia. (Wikipédia, a enciclopédia livre)


  Descubra se você seria considerada uma bruxa na Idade Média e perseguida pela Inquisição. 

1. Você é mulher? Na época do apogeu a "caça às bruxas" bastava ser mulher para ser acusada de bruxa. Um ''tropeço'' na sociedade que você desse já indicava o mal embutido no seu sexo.

2. Tem uma vagina? Não é só hoje que esse órgão sexual é estigmatizado, antigamente bastava ter uma para te olharem torto e com suspeitas. 

3. Menstrua? Sangue de menstruação era usado em rituais de magia, o que garante que você não usaria o seu para fins obscuros? Tipo destruir a ordem patriarcal... e implantar o Matriarcado misândrico. 

4. Você é muito magra? Bastava você pesar menos que o tamanho de uma Bíblia gigante - que os inquisidores usavam como um dos métodos de identificação de bruxas nos julgamentos do Santo Ofício - que você já seria acusada de ser uma bruxa, pois bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural segundo diziam... 

5. Você tem uma gargalhada estranha? Cuidado, mulheres com "riso histérico" seriam alvos fáceis e suspeitos segundo a cultura popular... 

6. Você seria o que hoje é conhecida como herborista? Ter conhecimentos das plantas e ervas nem sempre era visto como algo bom... o que garante que você não envenenaria o primeiro macho que ousasse te agredir? 

7. É nariguda? Idosa? Tem rugas? Bruxas são, no imaginário popular, retratadas como velhas narigudas e enrugadas. 

8. Possui algum sinal de nascença "estranho"? Uma manchinha talvez? Até um pontinho no seu corpo poderia ser considerado obra do Diabo, o que garante que esse sinal não é fruto de pacto entre você e o tinhoso? 

9. É inteligente? Mulheres inteligentes podiam facilmente tomar o lugar dos machos na sociedade... 

10. Gosta de sexo? Bruxas e a luxúria andavam de mãos dadas, segundo a Igreja... e, claro, os clérigos abusadores de mulheres. 

11. É feminista/ativista/subversiva? Mulheres contestadoras da ordem social sempre foram associadas as bruxas, afinal o que daria na cabeça de uma mulher querer ser dona da própria vida se não fosse tal obra uma influência diabólica? 

12. É pobre? Pobres estavam sujeitos a bruxaria para melhorarem de vida. 

13. É rica? Mulheres ricas seriam independentes financeiramente de machos, ou seja, com certeza teriam no porão de suas casas potes com pênis decepados dentro. Como você poderia provar que não é uma cortadora de bilaus? 

14. Tem muitas amigas? Muitas mulheres unidas num mesmo lugar e muito próximas emocionalmente uma das outras era obra de forças secretas, união feminina para a implantação do matriarcado, pode crer! 

15. Você já disse brincando alguma vez que é uma bruxa ou alguém já te chamou de bruxa? Bastava uma acusação, você já seria alvo de inquisição e teria que provar que não guarda nenhum pote com olhos de lagartixa ou que não tem nenhum meio de comunicação com Satã. 

16. Você é cristofóbica? Acreditavam que as bruxas tinham o poder de matar com armas invisíveis cristãos batizados... cristofobia na certa! 

17. Descumpriu alguma regra bíblica? Bruxa na certa, filha de Satã que renegou a alma a Deus. Herege!!! 

18. É estéril? Infertilidade poderia significar que seu útero foi amaldiçoado, que o Diabo te impediu de procriar para desagradar a Deus. E se você foi a escolhida pelo Demo é porque... 

19. Já foi assediada por algum membro da Igreja e colocou a boca no mundo? Certamente você seria uma bruxa a parar na fogueira caso se salvasse do linchamento popular por difamar e "tentar" um homem de Deus. 

20. É mulher?...

  É, amiga, se a vida não está fácil hoje, imagina naquela época.


Lizandra Souza.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vamos falar de misandria?

 O que é misandria no feminismo?   É o ódio generalizado aos homens?   N Ã O.  A misandria geralmente é dicionarizada como sendo o ódio aos homens, sendo análoga a misoginia: ódio às mulheres. Esse registro é equivocado e legitima uma falsa simetria, pois não condiz com a realidade social sexista vivida por homens e mulheres. Não  existe uma opressão sociocultural e histórica institucionalizada que legitima a subordinação do sexo masculino, não existe a dominação-exploração estrutural dos homens pelas mulheres pelo simples fato de eles serem homens, todavia existe o patriarcado: sistema de dominação-exploração das mulheres pelos homens, que subordina o gênero feminino e legitima o ódio institucional contra o sexo feminino e tudo o que a ele é associado, como, por exemplo, a feminilidade. Um exemplo: no Nordeste é um elogio dizer para uma mulher que "ela é mais macho que muito homem", tem até letra de música famosa com essa expressão, contudo...

História do adultério: modelos de comportamentos sexistas com dupla moral

Belmiro de Almeida - Arrufos, 1887 A história do adultério é a história da duplicidade de um modelo de comportamento social machista, possuidor de uma moral dupla, segundo a qual os homens, desde quase todas as sociedades antigas, tinham suas ligações extraconjugais toleradas, vistas como pecados veniais, sendo assim suas esposas deveriam encará-las como "pecados livres", que mereciam perdão, pois não era o adultério masculino visto como um pecado muito grave (a não ser que a amante fosse uma mulher casada), enquanto as ligações-extraconjugais femininas estavam ligadas a pecados e a delitos graves que mereciam punições, pois elas não só manchavam a honra e reputação da mulher adúltera, mas também expunham ao ridículo e ao desprezível seu marido, o qual tinha a validação de sua honra e masculinidade postas em jogo. Esse padrão social duplo do adultério teve sua origem nas culturas camponesas "juntamente com a crença de que o homem era o provedor da família e era ...

O super-piroca

Era uma vez um homem que se gabava muito de sua piroca. Era a piroca isso, a piroca aquilo. Se não chovia no Nordeste, era falta de piroca no clima. Se o pão queimava, era falta de piroca no padeiro. Se as enchentes invadiam alguma cidade, era falta de piroca no saneamento... Se as as mulheres iam às ruas lutar por direitos... aí sim que era falta de piroca mesmo. Para Piroconildo somente uma coisa poderia resolver as dificuldades das pessoas: uma piroca. Ou várias. Mas não para por aí. As coisas que ele achava como sendo boas também estavam relacionadas à piroca, à presença dela... Seu primeiro emprego, resultado de sua piroca. Sua cura de uma doença rara, sua piroca e a piroca do médico... Se seu time de futebol ganhasse um jogo, fora por causa da piroca. Seu sobrinho passou no vestibular por causa da piroca. Sua tia ganhou na loteria, por causa da intuição da piroca do marido. Certo dia, numa rua qualquer, Pirocon...

O roludo do rôle

O roludo do rôle chega chegando. "Não sou machista, mas...", ele diz, ele grita, ele berra, ele urra, ele late, ele pia, ele pira e gira... mas é.  E como o é.  Com o roludo do rôle "Nem todo homem...", mas ele bem ignora ou finge não saber que todo homem, cisgênero, se beneficia de uma estrutura social que legitima hierarquias entre homens e mulheres. Mas esse tipo de generalização não conta. Também não conta as vezes por dia em que mulheres são assassinadas por homens, sobretudo, cis, por causa do machismo. E quando não são ("só") assassinadas, são estupradas. Mas "Nem todo homem...", afinal o roludo do rôle nunca matou nem estuprou uma mulher. Ele só agrediu (agride?) fisicamente, emocionalmente e psicologicamente algumas mulheres de seu convívio. Ele só as silenciou, as censurou, as reprimiu, as explorou, as subestimou, as ridicularizou. Ele só trata sua mãe como sua empregada doméstica, porém sem salário/remuneraç...

Quem tem medo de puta? ou Pai, afasta de mim esse slut-shaming

Dizem-nos Putas! Vadias! Piranhas! Promíscuas! Rodadas! Vulgares! Quengas! Piriguetes! Vagabas! Para nos envergonhar. Para nos inferiorizar. Para nos culpabilizar. Para nos restringir. Para nos limitar. Dizem-nos Putas! Vadias! Piranhas! Promíscuas! Rodadas! Vulgares! Quengas! Piriguetes! Vagabas! Porque numa sociedade machista é inadmissível ver mulher transando  quando ela quer, porque ela quer, com quem ela quer. Com quantos ela quer, por que não? Dizem-nos Putas! Vadias! Piranhas! Promíscuas! Rodadas! Vulgares! Quengas! Piriguetes! Vagabas! Porque fazem de erro, pecado, dor, abominação, termos vida sexual igual ou melhor que a dos homens... Ah, os homens,  seres superiores, parrudos,  bafejados, eloquentes,  sapientes,  loquazes,  e majestosos. Só que não. Não mesmo. E dizem-nos Putas! Vadias! Piranhas! Promíscuas! Ro...