Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Precisamos falar sobre a descriminalização/legalização do aborto


É contra a legalização/descriminalização do aborto porque é ''pró-vida'', MAS ignora as mulheres/cis (e as pessoas trans designadas como sendo mulheres quando nasceram) mortas em decorrência de abortos clandestinos e as condições em que a FUTURA criança nascerá e será criada.



Pró-vida ou nascimento pró-forçado?

A única coisa que importa é impedir que a pessoa gestante tenha o direito a escolha e a um amparo médico legal e seguro caso decida não ser mãe (ou pai, no caso dos homens trans). O que está em questão não é a vida que nascerá, mas somente o controle sobre o corpo da mulher (ou pessoa gestante) a respeito da concepção e da gestação do feto, o qual, depois de nascido, se pertencer a minorias/classes sociais estigmatizadas deve se "virar" pra ser um cidadão "de bem", caso contrário é ''tiro, porra e bomba'', merece "pena de morte".



''Mas e a escolha do homem/cis? E se ele quiser ser pai?''.

E falsa simetria?

''Aborto'', ou melhor, e na verdade sem comparação, ABANDONO paterno, feito pelo homem/cis é legalizado/descriminalizado/institucionalizado/seguro, por exemplo, tem muito homem/cis por aí que engravida a mulher e diz "se vira, o problema é seu". Resultado: Brasil tem 5,5 milhões de crianças* sem nome do pai em registro de nascimento. O ''aborto'' do homem/cis é configurado pelo abandono, o que é muito pior se levarmos em conta que ele abandona uma vida (vulnerável) já nascida. Homens/cis não morrem ao decidirem que não serão pais. A paternidade não é obrigatória. Por que deverão os homens/cis terem então o controle sobre o corpo das mulheres? 



Homens/cis, abandonam seus filhos, recusam sua paternidade, todos os dias, porém a escolha deles de não serem pais é legalizada. Eles não morrem ao ''abortar'', simbolicamente falando. Eles não têm riscos de ficarem estéreis. Eles não precisam ''abortar'' clandestinamente. Eles são homens/cis. A sociedade dá pontos por isso.


Já o aborto feito pelas mulheres/cis (ou por homens trans ou por pessoas não binárias designadas como sendo mulheres ao nascerem) é criminalizado/ilegal/inseguro, resultando em 1 milhão de abortos** clandestinos e 250 mil internações** por complicações por ano, o que torna o aborto clandestino a quinta causa de morte materna no Brasil.



Muitas mulheres/cis (e pessoas trans designadas como sendo mulheres ao nascerem) POBRES*** morrem em ~~açougues~~ ao fazerem abortos clandestinos e inseguros (nem todo aborto clandestino é inseguro, logo gestantes pobres têm chances dobradas de morrerem em clínicas clandestinas/inseguras) em ambientes precários porque não têm dinheiro para pagar por um procedimento ilegal, contudo seguro, que não coloque em risco sua vida e/ou saúde, e ainda tem gente que acha que elas deviam/poderiam ''pagar'' por uma FUTURA vida.

Legalização do aborto não é só uma questão de gênero, mas também de classe e raça (mulheres brancas ou negras estão mais "vulneráveis" socioeconomicamente?) e de saúde pública.

É importante lembrar que ser a favor da DESCRIMINALIZAÇÃO/LEGALIZAÇÃO do aborto não é o mesmo que ser a favor de usar o aborto como um método contraceptivo ou incentivar as mulheres a abortar. Até porque o aborto não é uma contracepção, mas uma solução para a pessoa gestante que não quer ter um filho.

A criminalização do aborto (aborto ilegal/inseguro) NÃO REDUZ o número de abortos.

A descriminalização**** do aborto não reduz e nem aumenta, consideravelmente, o número de abortos, mas REDUZ o número de mulheres/cis (e de pessoas trans gestantes) mortas em consequência de terem tentado fazer um aborto ilegal e inseguro.

Qual prática (a criminalizada ou a descriminalizada/legalizada) salva mais vidas?

A maternidade só é plenamente humana quando resulta de uma escolha consciente e não de uma imposição social e/ou fatalidade biológica.


*http://www.crianca.df.gov.br/noticias/item/2332-brasil-tem-55-milh%C3%B5es-de-crian%C3%A7as-sem-pai-no-registro.html

**https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/5-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-aborto/

***http://noticias.terra.com.br/brasil/com-1-milhao-de-abortos-por-ano-mulheres-pobres-ficam-a-margem-da-lei,0401571f0cd21410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

****Nesse caso, do link, após a legalização do aborto, houve até uma diminuição no número de abortos: http://noticias.terra.com.br/brasil/com-1-milhao-de-abortos-por-ano-mulheres-pobres-ficam-a-margem-da-lei,0401571f0cd21410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

Lizandra Souza.

3 comentários:

  1. Costumam usar também o argumento de que o feto já é uma vida. No entanto, a ciência já provou que até a 22º de gestação não há atividade cerebral, logo, o feto não sente dor. Mesmo assim ainda dizem "Não podemos tirar a vida de ninguém. Isso é assassinato". Mas, quando alguém tem morte cerebral, os médicos e os familiares desligam o aparelho da pessoa e não são considerados criminosos ou ouvem o clichê citado acima. Coerência para quê, não é?

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  2. Exatamente, Talita. Isso ocorre pq, geralmente, pra galera 'pró-vida", não há um processo gestacional, a mulher descobre que está grávida há algumas semanas e o que ela carrega já é um "bebê'' formado e tudo hahaha vamos dizer pra essa galera a diferença entre um zigoto e um bebê ou a deixamos continuar a passar vergonha?

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    1. Tenho uma gravidez que não queria ter,aconteceu. Alguém pode me ajudar?

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Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!