Diários de Uma Feminista. Tecnologia do Blogger.

Sobre o machismo dos homens que brigam na internet para serem chamados de feministas


Um macho, ou melhor, mais um, me chamou de feminazi, ou seja, me comparou aos nazistas, só porque eu defendo a ideia de que macho pode ser, no máximo, pró-feminista, jamais feminista. Para quem faltou as aulas de português: o PRÓ é um prefixo que, aliado a palavra feminista, indica APOIO. Vou repetir: a p o i o. Não é exclusão, segregação, negação de ajuda ou apoio como muita gente pensa. 

Macho que quer apoiar o movimento não vai chorar na internet carteirinha de feminista. Macho que fica insistindo para ser chamado de feminista é macho escroto que só quer silenciar mulher, "pegar'' mulher ou ganhar ''biscoito'' de mulher, ao bancar o desconstruidão. Irei  exemplificar isso.

Um caso recente de feminicídio na Argentina, no qual uma adolescente de 16 anos foi drogada, estuprada, empalada e assassinada por no mínimo três homens, foi o estopim para que mulheres participantes de coletivos feministas organizassem protestos em várias cidades da América Latina, para pedir o fim da violência contra a mulher. Em meio aos protestos, convocados, liderados e lotados por mulheres, um homem ganhou visibilidade por conta de um cartaz que segurava: "Eu estou seminu, rodeado pelo sexo oposto, e eu me sinto protegido, não intimidado. Eu quero o mesmo para elas". Por conta do discurso "desconstruidão" o registro da participação do "feministo" viralizou nas redes sociais. O que muitas pessoas não imaginavam, porém, é que o "herói" das mulheres, Felipe Garrido, tem uma história de violência contra a mulher nas costas. Sua ex-companheira, Francesca Palma, após ver o ex-agressor ser elogiado nas redes sociais, desabafou em sua conta no Facebook o comportamento abusivo do feministo, o desmascarando. 


Outro exemplo é o do feministo agressor de mulheres Dado Dolabeauty que se declara não só feminista, mas também como o maior feministo de todos. 


Como os machos faziam para passar vergonha antes da internet é uma pergunta que há muita nos instiga. Talvez nunca tenhamos respostas claras e precisas, contudo como eles fazem para passar vergonha na internet com closes errados, closes errantes, fica cada vez mais evidente. 

A new order vergonhosa dos machos é, agora, se intitularem feministas, dando a entender, sobretudo, que são líderes, réis, donos do feminismo a nível regional, nacional, internacional e intergaláctico. E tudo isso na busca insaciável por biscoitos e afagos em sua masculinidade. 

Abaixo, podemos ver que tais omis em toda sua grandeza, macheza, sapiência, eloquência, sagacidade e MASCUlosidade esqueceram a noção só lhes restando o ridículo. Tais memes servirão também para justificar o porquê de tantas feministas militantes serem contra homens/cis se intitularem feministas.








O pior, para mim, não são nem esses machos escrotos, mas as mulheres que insistem em enfiá-los no movimento. Eles não têm vez e nem voz para mim, logo pouco me importa a cagação de regra deles. O que fico enojada é com a quantidade de mulheres que fecham os olhos para o silenciamento das companheiras de luta para "defender" a carteirinha de feminista desses machos a todo custo. 

Querem machos no movimento para quê? 
Para que eles, em manifestações com CENTENAS de mulheres, ganhem mais visibilidade e virem assunto nacional?

Querem machos no movimento para quê? 
Para que eles decidam quem é feminista de verdade, igual decidem quem é "mulher de verdade"? 

Querem machos no movimento para quê? 
Para que eles, quando contrariados, ao invés de nos chamarem de vadias, nos chamem de feminazis? 

Querem machos no movimento para quê? 
Para que eles sejam convidados para falar sobre empoderamento feminino? Sobre aborto? Sobre libertação da sexualidade feminina? Sobre cultura do estupro? Sobre como é sofrer diariamente com a misoginia? Como é ganhar menos só por ser mulher? Como é ser impulsionada a ser mãe pela maternidade compulsória? Como é ser silenciada numa sociedade que oprime mães? Como é ter o corpo vendido, usado como moeda de compra e venda? 

Querem machos no movimento para quê? Para que eles falem nos nossos espaços o mesmo que a gente já fala, porém ganhem a visibilidade que não temos? 

Entendam, negar protagonismo não é o mesmo que negar apoio. Apoio não vem de dentro, mas de fora do movimento. É quando o macho se dedica a falar de feminismo, de machismo, de patriarcado, de privilégios masculinos, entre outros, em casa, no trabalho, com os amigos, NÃO para as feministas. 

Lugar de macho no feminismo é fora. 
Em questões de gênero, homens (cis) têm toda a sociedade patriarcal a favor deles. Da voz deles. Dos direitos deles. Dos privilégios de gênero para eles. Homens são por homens. Leis são, em massa, feitas por homens para homens. Para defender homens, para beneficiá-los, para legitimar o poder social deles sobre as mulheres. Homens têm toda uma estrutura social que os empoderam como sujeitos de si mesmos, enquanto as mulheres são ponderadas, são preteridas, são "o outro". Mulheres são deixadas à margem, são silenciadas, são subjugadas, têm suas experiências de mundo deslegitimadas pelo androcentrismo - visão de mundo masculina. MACHO JÁ TEM MUITA VOZ, socialmente legitimada e institucionalizada, ele não precisa de participação dentro do movimento feminista, a participação dele É FORA, é na sociedade, é nos espaços que ele já lidera culturalmente. 

Tenho certeza que muitas mulheres apesar de entenderem isso, se farão de bestas e argumentarão a favor de macho no movimento. Porque não basta o macho opinar sobre a vida das mulheres historicamente, em sociedade, tem também que pautar o movimento. "Enaltecer" o movimento com a masculosa figura masculina. 

Essa necessidade de enfiar macho no feminismo é um comportamento heteronormativo, é resultado da heterossexualidade compulsória que faz as mulheres héteros internalizarem que são apêndices de machos, a tal ponto que têm que viver ao redor da rola de um. Parece duro, né? Pois é, é isso que eu penso quando vejo mulher silenciando outra por causa de macho. Para legitimar que macho tenha voz EM UM ÚNICO espaço protagonizado pela figura feminina. 

Eu simplesmente cansei de ser agredida por mulheres heterossexuais que, para defenderem macho escroto, inclusive macho agressor de mulher, ignoram o silenciamento das companheiras.

Macho não tem que pautar porra nenhuma a respeito das lutas das mulheres, parem de esperar por príncipes de cu e bunda e protagonizem a história de suas próprias vidas, migas. Dá pra gostar de macho, dá pra ser hétero, sem precisar ser desesperada por macho. Querer macho em tudo.
Feminismo não é falocentrismo.

Por fim, machinhos que querem apoiar a luta feminista, ou vocês são machos pró-feministas que buscam falar de machismo, de feminismo, de privilégios masculinos para seus amigos misóginos ou vocês são machos escrotos, misóginos e roludões do rolê que ficam na internet ofendendo mulheres feministas para serem chamados de feministas e se sentirem no direito de nos ensinarem o "verdadeiro movimento feminista'' pautado por vocês, os dois não dá. 

Lizandra Souza.

1 comentários:

  1. Olá,meu nome é Eduardo, gostaria de perguntar o seguinte:
    Se as leis são feitas por homens para homens, se os espaços da sociedade são "falocêntricos", não seria de interesse do feminismo se aliar à aqueles que tem poder para fazer algo? Quando você diz que "MACHO JÁ TEM MUITA VOZ, socialmente legitimada e institucionalizada, ele não precisa de participação dentro do movimento feminista, a participação dele É FORA, é na sociedade, é nos espaços que ele já lidera culturalmente." dá a entender que o homem deve entender de feminismo sem fazer parte dele, que o homem "passe a respeitar a opinião da mulher sem que se pergunte a opinião dele."

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Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!