Pular para o conteúdo principal

LITERATURA FEMINISTA: CRÔNICAS, (MINI)CONTOS, POEMAS, RESENHAS E MAIS!

Gays podem ser machistas/misóginos?

"Piada" gay machista e misógina.

Ser gay (afeminado ou não) não isenta nenhum macho de ser misógino, a prova disso é quantidade absurda de homossexuais (cis) masculinos destilando misoginia contra nós, mulheres, estigmatizando nossos corpos, sobretudo com aquele discurso falocêntrico pautado em estigmatizar a vagina como algo nojento, execrável, feio e digno de pavor (enquanto o falo é o centro do universo) e, ainda, reduzindo nossa identidade, vivência e mulheridade com esteriótipos sociais de feminilidade que, por exemplo, reduzem as mulheres a seres com maquiagem, salto alto e roupas consideradas femininas. 
Esses dias vi num grupo um post de um gay (cis) que dizia: "Sou tão gay que, quando nasci, os médicos tiveram que fazer uma cesariana, pois jamais passaria perto daquilo (vagina)". 
Os comentários eram tão deploráveis quanto o post. Entre eles menciono os que diziam que "Bicha burra nasce mulher" e "Quem gosta de buceta é lésbica, macho gosta de buraco", só para vocês terem uma ideia da misoginia dos discursos proferidos como "piadas". Diante disso, deixo um recadinho abaixo para os amiguinhos.
Ser gay afeminado e usar pronome feminino não te faz ser mulher e ter nossa experiência de mundo (seja a vivência de uma mulher cis ou trans). Muito menos, te dá o direito de nos marginalizar com discursos misóginos acerca do nosso corpo. Reitero, ser gay afeminado não te faz ser mulher. Logo, não te isenta de ser misógino nem te dá aval para falar mal do corpo das mulheres ou criar rivalidade entre elas. 
Estigmatizar vaginas e/ou reduzir mulheres a elas é, além de misoginia, transfobia contra homens trans (os quais podem ser gays também). No mais, você usa pronome feminino por que acha bonitinho e/ou por que quer afrontar? Ou só para banalizar a mulheridade e reduzi-la a performatividade de gênero feminina? Pode revolucionar e divar a vontade performando feminilidade, inclusive isso ajuda muito a desconstruir estereótipos de gênero, agora achar que essa performatividade te dá aval para ser misógino é erro rude!!! Gênero/identidade de gênero, performatividade de gênero e sexualidade NÃO são a mesma coisa.


Lizandra Souza.

Comentários

  1. Sim amiga, falou tudo! Basta digitar no google: "gays e misoginia" ou "misoginia entre os gays" ou ainda "gays misóginos, amigos que deixei para trás", e surgirão histórias do Brasil inteiro, de ponta a ponta, criticando esta atitude infantil e preconceituosa. Eles não tem direito de falar NADA a respeito do nosso corpo e nossas vivências, muito menos a respeito do que lésbicas e homens heteros gostam. Que parem de inventar esse mundo clube do bolinha rosa choque em que pintos cheiram a baunilha com morango e se olhem nus diante do espelho.

    ResponderExcluir
  2. Viva a heróica resistência dos gays contra as mulheres!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!

Postagens mais visitadas deste blog

Glossário de termos usados na militância feminista (atual)

Já participou daquele(s) debate(s) feminista(s) e vez ou outra leu/ouviu uma palavra ou expressão e não soube o significado? E cada vez mais, em debates, você passou a ler/ouvir aquela(s) palavra(s)? E o tempo foi passando e mais termos e expressões foram surgindo? E o pior, você pesquisou no Google o significado e não achou? E as palavras, muitas vezes, não existiam nos dicionários formais? Se você respondeu sim, em pelo menos duas perguntas, aconselho conferir o glossário virtual a seguir, no qual pretendo expor e explicar brevemente alguns dos termos e expressões mais usados no meio do ativismo, em especial o virtual. Além dos vários termos e expressões que são usados há décadas nos meios feministas, nós temos também muitos termos e expressões usados atualmente na militância feminista que são fenômenos advindos dos estudos contemporâneos de gênero, outros, ainda, são resultantes da própria necessidade de ressignificação que determinadas pa...

Por que gordofobia existe, mas magrofobia não?

Todas as mulheres (na verdade todas as pessoas, mas, por questões de gênero, farei esse recorte) sofrem ou estão sujeitas a sofrerem com a PRESSÃO ESTÉTICA resultante da idealização de beleza imposta pela indústria capitalista da beleza/moda, na qual a imagem do corpo feminino vira objeto de compra-venda e, consequentemente, a ideologia revestida nela faz com que as mulheres tenham suas autoestimas prejudicadas pelo que é imposto como bonito e ideal a ser seguido e alcançado para realização/felicidade plena delas, o que geralmente enquadra-se no padrão branco, cis e magro.  TODAVIA, nem todas as mulheres sofrem com algo estruturalmente e metodicamente instituído em sociedade para discriminar, segregar, inferiorizar, patologizar e excluir EM MASSA um determinado padrão de mulheres não-padrão de beleza, que é, por exemplo, o das mulheres gordas, sejam elas brancas, negras... altas, baixas... cis ou trans. Esse algo pode ser chamado de OPRESSÃO ESTÉTICA, pois há uma insti...

História do adultério: modelos de comportamentos sexistas com dupla moral

Belmiro de Almeida - Arrufos, 1887 A história do adultério é a história da duplicidade de um modelo de comportamento social machista, possuidor de uma moral dupla, segundo a qual os homens, desde quase todas as sociedades antigas, tinham suas ligações extraconjugais toleradas, vistas como pecados veniais, sendo assim suas esposas deveriam encará-las como "pecados livres", que mereciam perdão, pois não era o adultério masculino visto como um pecado muito grave (a não ser que a amante fosse uma mulher casada), enquanto as ligações-extraconjugais femininas estavam ligadas a pecados e a delitos graves que mereciam punições, pois elas não só manchavam a honra e reputação da mulher adúltera, mas também expunham ao ridículo e ao desprezível seu marido, o qual tinha a validação de sua honra e masculinidade postas em jogo. Esse padrão social duplo do adultério teve sua origem nas culturas camponesas "juntamente com a crença de que o homem era o provedor da família e era ...

Afinal, o que é feminismo interseccional?

Feminismo, de forma genérica, é um movimento sociopolítico que busca uma sociedade livre do patriarcado, entendido aqui como o sistema de dominação-exploração da mulher pelo homem. Com o fim do patriarcado, espera-se, sobretudo, que as mulheres não sofram mais com a opressão de gênero, que as relações sociais entre homens e mulheres não sejam tão assimétricas e que as mulheres sejam ensinadas a se empoderarem, não a se alienaram diante de seu gênero. Todavia, apesar de "feminismo" ser geralmente usado no singular, a ideia que ele contempla deve ser vista no plural, pois não existe "um feminismo", mas feminismos ou movimentos feministas, heterogêneos, plurais e com suas próprias formas de articulação e promoção de pautas a respeito dos direitos das mulheres, o que fica evidente com as suas mais variadas vertentes.  O feminismo interseccional (ou intersec) é uma das vertentes do movimento feminista. Ele diz respeito as intersecções ou recortes de opressõ...

(Des)conto de amor

  Soube do baile real e chorou porque não tinha como ir. Antes da meia-noite, sua fada madrinha lhe deu um lindo vestido, joias caras e um belo sapato - com a condição de que antes do sino tocar, ela estivesse segura em casa.    Foi. Bebeu, dançou, riu, se divertiu como nunca. No fim, antes de ir embora, o príncipe pediu sua mão... - Desculpa, boy, eu só queria um vestido bonito e uma noitada. Lizandra Souza.