Pular para o conteúdo principal

LITERATURA FEMINISTA: CRÔNICAS, (MINI)CONTOS, POEMAS, RESENHAS E MAIS!

O cara que diz que não é machista, mas... é


Diz que não é machista porque nunca estuprou ou assassinou nenhuma mulher, mas já agrediu física, verbal, psicológica e emocionalmente; assediou, humilhou, maltratou, inferiorizou, silenciou, subordinou, censurou...
Não abre mão do pornozão... acha que homem tem que ganhar mais mesmo, homem é homem né? acha que o empregador pode escolher não contratar mulheres porque mulheres (cis) engravidam (com o dedo?)... acha graça de piadas machistas feitas pelos amiguinhos na mesa de bar... é só uma piada, tem que levar na esportiva... passa a mão na cabeça do coleguinha de trabalho que vive assediando as colegas... acha que a mulher que veste roupa curta é vadia e se sente no direito de cagar regra na vida da companheira... 
Legitima assédio dizendo que cantada de rua é arte... arte que nenhum gay pode praticar com ele! Diz que nada justifica estupro, mas problematiza o tamanho da roupa das vítimas, onde elas estavam, o horário etc. O que aquela vadia estava fazendo naquele lugar? Àquela hora? Com aquele(s) cara(s)? Quem mandou usar aquela roupa curta? Quem mandou sair de casa? Foi estuprada em casa? Alguma coisa deve ter feito, se insinuou? 
Não é machista, mas é.


Lizandra Souza.

Comentários

  1. Pois é, homens sempre querem levantar a voz para falar de algo que eles não imaginam tamanha profundidade. Haja paciência!

    www.generoproibido.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. O pior machista é o que começa a frase dizendo: " eu não sou machista"

    ResponderExcluir
  3. Já que é assim; então, eu sou machista.

    ResponderExcluir
  4. Gostaria de entender mais sobre a questão do "Pornozão"

    N

    ResponderExcluir
  5. A sociedade esta cheia de homens que diz "Não ser machista " e faz e fala todas essas coisas infelizmente 😕

    ResponderExcluir
  6. Vamos lá, nao vou dizer que não falei mal de mulheres, e coisa do tipo, n vou comentar sobre o estupro e sobre as cantadas(até msm porque são duas coisas que eu como homem nunca pratiquei e sempre achei babaquice de quem prarica) teve um tempo da minha vida em que eu parei pra pensar, o tanto que as mulheres são agredidas (em todo canto, em todo lugar) isso me fez sentir a vontade de ser diferente dos outros homens, eu respeito muito as mulheres e o seu espaço, não fico de "fiu fiu", mas eu gostaria muito de entender a parte do pornozão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gosta de falar que mulher é vadia, vagabunda e etc mas não abre mão do pornozão.

      Excluir
  7. O que a pornografia faz é relacionar a sexualidade ao menosprezo pelas mulheres. É uma combinação muito ruim, especialmente quando pensamos que os meninos veem pornografia pela primeira vez por volta dos 13 anos. O que significa para um menino que ainda está desenvolvendo sua sexualidade ver esse tipo de pornografia? Quanto mais erotizamos essas imagens, mais dizemos aos homens que é dessa maneira que eles devem tratar as mulheres, que eles devem achar isso excitante. E os garotos vão construir suas identidades sexuais em torno dessas imagens.Antes, o que era considerado um tipo de pornografia muito pesado, que tinha de ser comprado em lugares especiais, hoje é tido como normal. Os adolescentes podem baixar pela internet. Esse aumento da violência aconteceu porque os homens se entendiaram com a pornografia disponível. O acesso a esses materiais é tão fácil que os homens se tornaram insensíveis aos apelos do pornô. Por causa disso, a pornografia precisa continuar aumentando o nível de humilhação das mulheres para manter o interesse dos homens.A questão é que não existe nenhum tipo de pornografia que seja saudável.A pornografia foi colocada num pedestal pós-moderno. Toda crítica é moralismo. Mas a forma como esse conteúdo vem sendo produzido (machista, irreal e cada vez mais hardcore, graças à livre concorrência) e consumido em massa (na internet) também contribui para essa cultura de insensibilização para sexo.
    A humanidade do outro é secundária ao seu tesão. Não importa o que aparece na tela ou seus bastidores grotescos, o importante é gozar. Não importa como aquela garota ou aquele “vídeo caseiro” chegou lá, o importante é gozar. Não importa como o filme foi feito e definitivamente não importa se a mulher está gostando.
    A probabilidade, hoje em dia, é que você vai fazer mais sexo com seu computador do que com uma garota. Então… Quem se importa com a garota?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!

Postagens mais visitadas deste blog

Vamos falar de misandria?

 O que é misandria no feminismo?   É o ódio generalizado aos homens?   N Ã O.  A misandria geralmente é dicionarizada como sendo o ódio aos homens, sendo análoga a misoginia: ódio às mulheres. Esse registro é equivocado e legitima uma falsa simetria, pois não condiz com a realidade social sexista vivida por homens e mulheres. Não  existe uma opressão sociocultural e histórica institucionalizada que legitima a subordinação do sexo masculino, não existe a dominação-exploração estrutural dos homens pelas mulheres pelo simples fato de eles serem homens, todavia existe o patriarcado: sistema de dominação-exploração das mulheres pelos homens, que subordina o gênero feminino e legitima o ódio institucional contra o sexo feminino e tudo o que a ele é associado, como, por exemplo, a feminilidade. Um exemplo: no Nordeste é um elogio dizer para uma mulher que "ela é mais macho que muito homem", tem até letra de música famosa com essa expressão, contudo...

O (não) uso do sutiã e a problematização feminista

A nova onda virtual feminista da vez é problematizar o uso do sutiã sem recorte histórico, social e individual. Por um lado, algumas militantes dizem que ''não usar sutiã é revolucionário'' e que ''a mulher que usa está se prendendo a moldes patriarcais de censura do corpo feminino'', do outro, outras alegam que ''não usar sutiã não é revolucionário ou empoderador'' e que ''só não usa quem tem "peito padrão", quem tem peito pequeno, quem está mais próxima do padrão estético de beleza''. A era do 8 ou 80... Muito pensamento autoritário e extremo/fechado de ambos os lados. Eu vou problematizar o uso do sutiã enquanto objeto criado pra, por exemplo, ''camuflar mamilos femininos'', "dar outra aparência aos seios da mulher", "evitar [algo natural do corpo humano] que os seios caiam".  Mesmo depois de mais de um século de sua existência, ainda há hoje todo um tabu sobre o...

História do adultério: modelos de comportamentos sexistas com dupla moral

Belmiro de Almeida - Arrufos, 1887 A história do adultério é a história da duplicidade de um modelo de comportamento social machista, possuidor de uma moral dupla, segundo a qual os homens, desde quase todas as sociedades antigas, tinham suas ligações extraconjugais toleradas, vistas como pecados veniais, sendo assim suas esposas deveriam encará-las como "pecados livres", que mereciam perdão, pois não era o adultério masculino visto como um pecado muito grave (a não ser que a amante fosse uma mulher casada), enquanto as ligações-extraconjugais femininas estavam ligadas a pecados e a delitos graves que mereciam punições, pois elas não só manchavam a honra e reputação da mulher adúltera, mas também expunham ao ridículo e ao desprezível seu marido, o qual tinha a validação de sua honra e masculinidade postas em jogo. Esse padrão social duplo do adultério teve sua origem nas culturas camponesas "juntamente com a crença de que o homem era o provedor da família e era ...

O roludo do rôle

O roludo do rôle chega chegando. "Não sou machista, mas...", ele diz, ele grita, ele berra, ele urra, ele late, ele pia, ele pira e gira... mas é.  E como o é.  Com o roludo do rôle "Nem todo homem...", mas ele bem ignora ou finge não saber que todo homem, cisgênero, se beneficia de uma estrutura social que legitima hierarquias entre homens e mulheres. Mas esse tipo de generalização não conta. Também não conta as vezes por dia em que mulheres são assassinadas por homens, sobretudo, cis, por causa do machismo. E quando não são ("só") assassinadas, são estupradas. Mas "Nem todo homem...", afinal o roludo do rôle nunca matou nem estuprou uma mulher. Ele só agrediu (agride?) fisicamente, emocionalmente e psicologicamente algumas mulheres de seu convívio. Ele só as silenciou, as censurou, as reprimiu, as explorou, as subestimou, as ridicularizou. Ele só trata sua mãe como sua empregada doméstica, porém sem salário/remuneraç...

Feminismo, uma questão de igualdade ou de equidade?

Para mim, feminismo não é sobre ''igualdade de sexo'', ''igualdade entre os gêneros'', ''igualdade entre homens e mulheres''. Isso nunca vai existir. Mulheres e mulheres não são iguais, muito menos mulheres e homens. Feminismo não existe para pregar que mulheres sejam iguais aos homens. Eu não quero me igualar a um gênero opressor. Eu não quero que ocorram 5 espancamentos de homens, por mulheres, no Brasil, a cada 2 minutos. Eu não quero que 1 homem seja estuprado a cada 12 minutos no Brasil. Eu não quero que a cada 90 minutos 1 homem morra por questão de gênero. Eu não quero que cerca de 180 homens, por dia, relatem agressões sofridas em um sistema de atendimento de denúncia só para homens. Eu não quero que 43 mil homens sejam assassinados, 43% em casa, em 10 anos, por mulheres só por serem homens. Eu não quero que homens ganhem menos que mulheres só por serem homens, mesmo havendo na lei que não é permitida discriminação por gênero...